Pular para o conteúdo principal

'Ou fala, ou os dois morrem': pais inocentados após morte de filho denunciam coação de Polícia Civil do ES


Perícia apontou que manchas no corpo da criança foram causadas por meningite. Luane Monique de Moura Silva e Adeildo Souza da Silva ficaram presos por quase três anos por morte do menino. A Polícia Civil informou que a Corregedoria vai apurar o caso. Pais inocentados após morte de filho denunciam coação de Polícia Civil do ES Os pais da criança de 5 anos, que morreu em Dores do Rio Preto, no Sul do Espírito Santo, que ficaram presos suspeitos de terem matado o filho disseram, nesta terça-feira (26), que foram coagidos pela Polícia Civil e ameaçados de morte para que confessassem o suposto crime. A Polícia Civil informou que a Corregedoria vai apurar o caso. O casal, Luane Monique de Moura Silva e Adeildo Souza da Silva, ficou preso por 2 anos e 7 meses por suspeita de homicídio, omissão e tortura do filho Artur Moura Silva. Na época, o inquérito da Polícia Civil enviado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apontava que o pai teria agredido o filho com socos e chutes. O laudo da perícia, apresentado durante o Júri Popular, em setembro deste ano, comprovou que Arthur não morreu vítima de agressão, mas por meningite. As manchas pelo corpo foram causadas pela doença. O MPES afirmou que a prisão "foi um erro". “Na hora que estavam pegando o depoimento dele [o marido], o delegado colocou uma pistola em cima da mesa e falou: "se você não confessar e não falar o que eu quero fale, que eu estou escrevendo, eu te mato aqui agora. Ou fala, ou vocês dois morrem aqui dentro", denunciou Luane. Luane e Adeildo, pais de Arthur foram inocentados pela morte do filho depois de quase três anos presos. Reprodução/TV Gazeta Adeildo revelou que disse para a polícia que não tinha agredido o filho, mas confessou as agressões depois de ser ameaçado pelo delegado. "Ele [o delegado] disse "o senhor fez isso". Eu disse "não fiz isso não, senhor". [O delegado disse] "não, você fez isso e aquilo", que eu não vou citar aqui a palavra que ele citou lá. Eu só abaixava a cabeça e ele falava "nós vamos levar ele [Adeildo] para um quartinho e vamos arrebentar ele", relembrou o pai da criança. Perícia apontou que o menino Arthur morreu de meningite, e não torturado e assassinado pelos pais como apontava a versão da polícia. Reprodução/TV Gazeta Casal não enterrou filho Luane e Adeildo foram soltos em março deste ano. O casal não pôde ir ao velório e enterro do filho. Eles só visitaram o túmulo do menino três anos depois da morte dele, no dia do enterro da mãe do Adeildo. "Ajudei a levar o caixão da minha mãe e, na hora em que eu olhei para a cova, eu falei "meu Deus do céu, onde meu filho foi enterrado". Ali eu me despedi dele. Foi doído demais”, reviveu o pai. Pai chora ao relatar que não enterrou filho no ES Reprodução/ TV Gazeta O caso Arthur foi levado pela mãe para o Pronto Socorro de Guaçuí, no Sul do Espírito Santo, no dia 15 de agosto de 2018. Ele estava com febre alta, vômito, falta de apetite, diarreia, convulsões e manchas no corpo. Antes de levar o filho ao médico, Luane contou, na época, que tinha ido a um centro espírita para que fizessem uma oração pela criança. Como o filho não melhorou, ela pediu uma ambulância e levou Arthur para ser atendido por um profissional. Casal é inocentado três anos após morte de criança Reprodução/ TV Gazeta Por causa das manchas no corpo da criança, a equipe médica chamou a Polícia Militar, que encaminhou o casal para a Delegacia de Alegre. A criança morreu e os pais foram presos suspeitos de agressão. Na época, a Polícia Civil de Alegre, onde o caso começou a ser investigado, informou que Adeildo confirmou ter batido no filho e disse que escutava vozes para agredi-lo. Também em depoimento, Luane disse que não denunciava as agressões do marido porque era ameaçada por ele. O casal, porém, revelou que foi coagido pela polícia e obrigado a mentir. O Ministério Público do Espírito Santo reconheceu que o casal era inocente e não deveria ter sido preso. Para o MPES, ocorreram erros durante as investigações feitas pela Polícia Civil, que começaram na delegacia de Alegre e foram concluídas na delegacia de Dores do Rio Preto. Segundo a promotoria, o inquérito levou a uma conclusão que não condiz com a verdade, fazendo com que o casal ficasse preso por tanto tempo. "Eu só tenho que agradecer. Eu só agradeci. "Deus, obrigado por me tirar desse lugar, porque o Senhor sabia que a gente não tinha feito nada com o nosso filho". Agora é seguir a vida. Tentar apagar isso da mente - o que não é fácil. Tanto faz o tempo que ficamos presos, a saudade do Arthur nunca vai passar. Mas é tocar a vida em diante. Graças a Deus, não devo nada para a Justiça. Nem eu, nem meu esposo" , declarou Luane. Coação será apurada O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, informou que o caso será revisto na Corregedoria da Polícia Civil. Arruda, no entanto, alega que o casal não foi forçado a coagir e nem a mentir. “Nós não estamos falando da polícia dos anos 1940. Nós não estamos falando de uma polícia da época da ditadura. Nós estamos falando de uma polícia que é toda ela formada no estado democrático de direito, o delegado de polícia é formado, ele tem formação jurídica. Eu acho muito difícil que isso tenha acontecido. Pode até ser que, o pai, levado por uma pressão popular, tenha falado alguma coisa nesse sentido. Mas ele ser obrigado, ou ele ser forçado, acho muito temerário, muito difícil disso acontecer”, argumentou Arruda. Justiça inocenta casal três anos após morte de criança no ES Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Fonte: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2021/10/26/ou-fala-ou-os-dois-morrem-pais-inocentados-apos-morte-de-filho-denunciam-coacao-de-policia-civil-do-es.ghtml

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ameca, o robô humanoide que impressiona por semelhança com humanos; vídeo

Imagem do robô "acordando para a vida" revelada esta semana viralizou e chama a atenção pelo realismo das expressões. Modelo servirá como base de teste para inteligência artificial e terá conexão em nuvem. Ameca: veja o robô realista que parece humano Seu nome é Ameca. Ele é o novo robô da empresa britânica Engineered Arts, especializada em máquinas humanoides. Sua extrema semelhança com seres humanos acabou chamando atenção de internautas nas redes sociais. A imagem do robô "acordando para a vida" revelada esta semana viralizou deixando muita gente impressionada, e outros "assustados". Seu lançamento oficial será na próxima Consumer Electronics Show (CES) 2022, mas alguns detalhes do modelo já foram divulgados pela fabricante. Em seu anúncio, a empresa afirmou que "Ameca é o robô em forma humana mais avançado do mundo". Seus criadores dizem que ele pode servir de plataforma para o desenvolvimento de futuras tecnologias robóticas. SAIBA MAIS Xen...

Em Rio Branco, 700 crianças carentes recebem kit escolar de projeto solidário para início do ano letivo

Crianças são de 13 comunidades carentes da capital acreana e estavam cadastradas no Projeto Olhar Diferente. Recurso saiu de bazar realizado pelo cantor Wesley Safadão, em 2020, e doado para projetos carentes do Brasil. Crianças ganharam kit com material escolar para iniciar as aulas do ano letivo Arquivo/Projeto Olhar Diferente Setecentas crianças carentes de Rio Branco estão sendo beneficiadas com um kit escolar para início do ano letivo, previsto para começar em maio. O material foi comprado pelo Projeto Olhar Diferente por meio de doações e vai alcançar 13 comunidades carentes da capital acreana. As entregas começaram na quinta-feira (29), seguem nesta sexta (30), e devem terminar no sábado (1º). As crianças têm entre 5 a 12 anos do ensino infantil e fundamental e foram cadastradas pelo projeto antecipadamente. Os kits são compostos por: caderno espiral ou brochura, borracha, lápis, apontador, cola, tesoura, agenda, lápis de cor, copo plástico (para os menores), mochila com estojo...

Na Ceasa Curitiba uva produzida no Paraná está mais barata do que as produzidas em outros estados; confira

Confira também a variação de preço de outros produtos nesta semana, na Central de Abastecimento de Curitiba. Cotação: uvas paranaenses mais em conta Na Central de Abastecimento de Curitiba as uvas paranaenses estão mais baratas do que as produzidas em outros estados ou importadas. A caixa de oito quilos da uva preta está cotada em média a R$ 40. Os tipos Itália e Rubi saem por R$ 55. Em comparação, a caixa de nove quilos da uva Thompson Nacional, que tem procedência do nordeste, está cotada a R$ 100. Os preços das uvas na Central de Abastecimento de Curitiba nesta semana tiveram destaque para a produção local. RPC/Reprodução Confira a variação de preço de outros produtos nesta semana, na Ceasa de Curitiba: Pepino Japonês Extra A (caixa de 20 kg): R$ 45 (subiu 55%) Alface Crespa média (caixa de 6 kg): R$ 9 (subiu 33%) Alface Lisa média (caixa de 6 kg): R$ 9 (subiu 33%) Banana Caturra de primeira (caixa de 20 kg): R$ 50 (estável) Abacaxi Pérola pequeno (caixa de 18 kg): R$ 42 (estável) ...